Devaneio
diário 03:
-Q
u e b r a n d o a q u a r t a p a r e
d e-
“Fora do aconchego das quatro
paredes infernais, a luz da liberdade clareia a escuridão existencial”.
Estamos então,
fadados ao confinamento mental, onde nos trancamos juntos com nossos pensamentos
dentro de um quarto. Onde cada pensamento se torna um peixe nadando aqui, nesse
mesmo lugar onde sentamos para fazer sempre as mesmas coisas.
Sufocando com sempre os mesmos pensamentos nessa piscina
de devaneios, a procura pelo novo e pelo diferente se torna um nado que nem
sempre tem impulso, porque dessas quatro paredes só se sai quando se abre a
porta.
Sou um ser humano com suas necessidades vitais como
quaisquer outras, e determinado momento necessito sair para restabelecer meu
estoque.
E no momento que saí, todas as coisas pareciam muito mais
simples do que eu imaginava, tudo agora parecia mais vasto.
Não sei de fato se eu sou maluco,
mas o que me complica diariamente é que minha mente materializa cada devaneio e
cada pensamento que me destrói dentro do meu quarto, onde cada vez que eu
entro, vejo eles nadando por ali.
O
que me leva a crer que meu quarto é uma piscina de pensamentos destrutivos, onde
só me resta abrir a porta pra apreciar a liberdade mental por algum tempo.
Todas
essas coisas aparentemente se dão pela forma que costumo ficar aqui, procurando
algo de novo freneticamente, sem nem ao menos ter o que desfrutar pra me
satisfazer, sobrando então meus devaneios destrutivos para preencher minha
mente.
Por
isso,
Devo
sair desse inferno, ao menos que pra ver os carros passarem da janela.
Lucas
Bressan Resende
( )
03/04/2020