A Morte Extracorporal
A Morte
Extracorporal
Eu vivo morrendo, porém, meu corpo vive. O que morre não
é minha felicidade ou sanidade, quem morreu foi o Lucas de 2019, ou de 2018,
2017 e assim sucessivamente. Não sou mais o mesmo que eu era anteriormente, e a
cada ano me torno cada vez mais incomum e diferente em algum aspecto.
“Quando um corpo
morre, seu espirito leva um tempo pra se desprender de tudo que deixou até
então”
-Livro dos
espíritos, Allan Kardec.
Em alguma fase remota,
fui “Lukão” aquele que não parava em casa e vivia sempre saindo e vivendo sua
vida arduamente, conhecendo novas pessoas, convivendo todo dia com pessoas,
sempre enxergando beleza onde não há.
Determinado momento, fui morto pelo ego, e desde então
tudo que havia veio a soterrar a 7 palmos do chão. Tudo que viveu em “Lukão” hoje está morto em “Lucas”, tudo está morto,
tudo se foi, e assim há de ser, e nada pode mudar.
Tudo que se viu e se conheceu, foi jogado ao vento temporal
e perdido no vácuo da existência. E por quão afetuoso fui na minha “outra vida”,
por lei natural, haverei de levar um tempo para que eu desencarne de Lukão e
passe a ser Lucas.
Leve-me, vento
temporal, à minha nova vida, e me faça esquecer tudo que perdi, pois só pelo
vento do tempo irão ser levados as folhas daquilo que já não vive mais.
Como a vida é provação e
expiação, espero voltar a uma outra versão de mim mesmo onde eu possa matar aquilo
que me matou anteriormente.
Espero-te nova vida, perdão
a tudo.
Lucas Bressan.
14/03/2020